Desde 2010, a Rede Marista de Solidariedade estabelece o Ciclo Advocacy como modalidade de atuação no eixo de defesa e promoção dos direitos de crianças, adolescentes e jovens. A metodologia, embasada em referenciais teóricos e boas práticas, estabelece passos de elaboração, desenvolvimento e avaliação de ações que buscam a garantia de direitos. A publicação “Olhares sobre o PROUNI na PUCPR” faz parte do Ciclo Advocacy: Acesso e Permanência de estudantes bolsistas no Ensino Superior. O livro reúne resultados de pesquisas desenvolvidas por um grupo de professores da PUCPR com seus estudantes de iniciação científica. A publicação também conta com relatos de vivências de estudantes e ex-estudantes bolsistas na PUCPR. Este projeto foi organizado e coordenado pelo Observatório das Juventudes, parte integrante da área identitária da PUCPR, juntamente com o Instituto Ciência e Fé.

O livro tem como organizadores os professores doutores Fabiano Incerti e Saulo Geber e foi lançado este ano. Para o reitor da PUCPR, Waldemiro Gremski, “não haverá desenvolvimento sustentável sem uma inclusão social justa na área educacional”. Implantado a partir de 2014, o PROUNI – Programa Universidade para Todos, normalmente atende a alunos que, em sua maioria, são os primeiros membros da família a conseguirem acesso ao ensino superior. Waldemiro reforça a importância da parceria a quatro mãos (entre universidade e bolsista) para “recuperar as deficiências acadêmicas trazidas pelo bolsista à universidade, alçando-o ao patamar dos colegas oriundos de ambientes mais competitivos”. Essa inclusão social permite não apenas a formação universitária, mas o desempenho profissional cidadão.

O professor Fabiano explica que o livro materializa a pesquisa que professores da universidade já estavam coletando dados há dois anos. “Todos eles têm alguma experiência com esses estudantes dentro e fora da sala de aula”, explica. A proposta era compreender o perfil do estudante, com aspectos mais complexos, e valorizar um estudante que soma boa parcela da universidade – de 20.000 alunos, mais de 5.000 são bolsistas. Além de desmistificar alguns pontos, como o fato de que o bolsista não tem baixo rendimento. Seu rendimento é normal. Às vezes, acima da média, e muitos deles trabalham o dia todo e estudam à noite.

Sobre o perfil dos estudantes bolsistas, 58,9% eram mulheres, 76% se consideram brancos, 18,2% pardos e 4% negros. 36% tinham idade entre 18 e 20 anos, e os alunos entre 21 e 23 anos somavam 31%. Um exemplo é Izabel Borges da Silva, graduanda do 5 ° período do curso de Medicina pela PUCPR, Campus Curitiba. Quando viu seu nome entre os aprovados, teve um dos momentos mais emocionantes da sua vida e saiu de Tocantins para estudar.

“Lembro me bem da sensação de vislumbrar um futuro completamente diferente das expectativas que eu tinha para mim mesma até ali. Aquela criança que coletava latas de refrigerante e material reciclável para vender e comprar um lanche, no Ensino Fundamental, iria, sim, fazer Medicina. E isso significa muito. Que essas crianças tenham acesso à Educação Básica, significa muito para mim, para nossas famílias e para a construção de justiça social”.

Fernanda Cristina de Lara, graduada no curso de Letras – Português/Espanhol, Campus Curitiba, conta que queria ser escritora desde os 10 anos de idade. Sempre estudou em escola pública e sentia que o conteúdo das aulas não era o bastante para ingressar em uma universidade de qualidade. Além disso, também tinha a questão da situação financeira da família. Em 2013, tornou-se bolsista 100%. “Continuei fazendo estágios, mas o alívio por não ter que pagar mensalidade, além da responsabilidade e da gratidão de ter sido beneficiada pelo programa, fez com que minha dedicação aos estudos fosse triplicada”, conta ela.

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